O Blues, o rock e o Diabo-Part3

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O Blues, o rock e o Diabo-Part3

Mensagem  PapaNJam em Seg Mar 02, 2009 8:59 am

"Toda verdade é uma meia verdade." - Alfred North Whitehead (1861-1947)

Se você quiser procurar por maldade, há chances de você encontrá-la. Por exemplo, Jimi Hendrix, Janis Joplin, como também Brian Jones e Jim Morrison, todos morreram aos 27 anos, mesma idade de Robert Johnson. Existem aqueles que tentam convencer outros de que não há coincidências nisto. Como Johnson, eles não eram apenas bons, eram os melhores e estavam, cada um, em seu auge quando morreram. Alegam que o numero 27 quando somados, 2+7, resultam no número 9, e que este é o número máximo. Depois de nove, volta-se para zero. É uma perspectiva curiosa, mas de certo, o que estas pessoas realmente tem em comum, além da talentosa musicalidade, é em alguns casos, insegurança psíquica para lidar com as exigências do estrelato que suas profissões exigem, e na maioria dos casos, o hábito de não ter maiores cuidados com o que eles estão ingerindo e em que quantidades.

Aleister Crowley

"Não conhecemos um milionésimo de um porcento de nada." - Thomas Edison (1847-1931)

Dentro do meio rock 'n' roll, uma pessoa ficou bastante popular com suas historias sobre magia negra. Ele se chama Kenneth Anger e se dizia um discípulo de Aleister Crowley. Anger é quem apresentou historias e feitos de Crowley para os novos ricos da década de sessenta. Entre estes estão Jimmy Page, Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richard, Anita Pallenberg, John Lennon, Graham Bond e diversos outros.


Aleister Crowley
A vida aventureira, e a lenda ao redor desta, vivida por Crowley, é material para um ótimo filme B de Hollywood. Aleister Crowley, nascido na Inglaterra em 1875, era um estudioso do oculto. Entende-se por oculto, toda e qualquer ciência que o sistema imposto não permite ser estudada "às claras". Aos vinte e quatro anos, era um discípulo da Ordem da Alvorada Dourada (Order of the Golden Dawn). Foi tolhido de progredir na seita por William Butler Yeats e acabou viajando para o México com intuito de aprender a fazer sua imagem, refletida no espelho, sumir. Em uma época em que a magia era condenada pela igreja por ser uma arte poderosa, sobrevivente da era pré-Cristã, Crowley partia da premissa que a verdadeira mágica estava na vontade própria do homem, atingível em estados de meta-consciência.

Crowley, exímio alpinista, escalou o Himalaia diversas vezes e escreveu incessantemente, querendo ser reconhecido como um escritor de valor. Porém seus livros eram considerados em geral pornográficos ou insanos. Morando na Italia, considerava a moralidade tradicional sem valor. Consumia grandes quantidades de haxixe, ópio, cocaína, morfina e já no final da vida, heroína. Viveu abertamente com diversas mulheres, enquanto aprofundava seus estudos sobre "mágica sexual" (sex magick). A teoria divaga sobre o poder oculto existente durante o orgasmo e que o estudo para se atingir um estado de êxtase contínuo pode ser utilizado como um atalho para se atingir técnicas de magia aprendidas na sua antiga Ordem. Acabou expulso da Sicília, voltando para Londres.

Mudou-se depois para a Escócia, onde comprou a Boleskine House, antiga igreja que pegou fogo e matou todos os fieis no incêndio. Crowley passou a estudar a magica de Abra-Melin, onde ele tenta evocar o demônio Thoth. Foi neste período que tentou tomar a liderança da Ordem Da Alvorada Dourada de seu então líder Samuel Mathers. Este supostamente mandou uma vampira para liquidar com sua vida. Mas Crowley, já um mago poderoso, seduziu a vampira e a derrotou. Mathers então, via magia, matou a matilha de cães que pertencia a Crowley e cercava seu castelo. Depois enfeitiçou um dos serviçais do castelo para que este tentasse matar a esposa de Crowley. O vassalo também foi derrotado e como represália, Crowley teria evocado Belzebu e mais quarenta de seus assistentes para irem a Paris, onde Mathers residia e dar fim à disputa de poder entre os dois. Pouco depois Mather morreu.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Crowley residiu nos Estados Unidos. Em 1916 ele chegou ao mais alto grau da seita, o de Magus, e morreu em Brighton, em 1947, viciado em heroína. Durante seu funeral, seus discípulos cantavam o "Hino ao Pan" para o desprazer de muitos presentes.

Kenneth Anger também se dizia um Magus e segundo alguns relatos, demonstrava grande domínio sobre certos poderes. Seu sonho era de fazer um filme sobre Satan chamado "Lucifer Rising" e contratou o ex-guitarrista da banda Love, Bobby Beausoleil, para fazer o papel de Lucifer no filme. Após meses de filmagem, aparentemente Beausoleil ficou insano e assassinou com requintes de crueldade uma pessoa, sendo preso, julgado e condenado a prisão perpétua. Mais tarde foram descobertos ligações entre Beausoleil e a Família Manson. Kenneth então convidou Mick Jagger para substituir Beausoleil no papel de Lucifer mas este educadamente declinou o convite. Jagger porem trabalhou na trilha sonora do filme e seu irmão Chris Jagger como também Marianne Faithfull contracenaram em algumas cenas. Anger era um perfeccionista e não gostou de nada que foi feito e o filme acabou nunca ficando pronto.

Histórias Finais

"Se eu vou pro inferno, vou tocando piano." - Jerry Lee Lewis


Jimmy Page
Jimmy Page, admirado pela apresentação de Anger, fez seus próprios estudos e em tempo acabou comprando e fixando residência em Boleskine House onde Crowley morara quando na Escócia, à beira do Lago Ness. Este fato também ajudou a fixar a fama que Page ganhou, de ser um adorador do diabo e uma alma condenada. O Led Zeppelin também sofre em seu inicio a tese do pacto, para explicar seu sucesso e riqueza repentina. Segundo os comentários da época, três dos quatro membros trocaram suas almas pela fortuna e o sucesso. Somente um se recusou ao acordo e é o único que dentro da banda, supostamente sofre por falta de carisma. As historias que circulam sobre os hábitos sexuais da banda, quando excursionando, realizados em seus hotéis com as groupies, são as mais absurdas conhecidas dentro do rock. Ao invés de entender os acontecimentos como parte da rotina de garotos pobres repentinamente ricos, cheios de carisma, poder financeiro, saúde e energia sexual para esbanjar, as pessoas falam destes atos sexuais não ortodoxos como sendo parte de um culto a Satan.

The Allman Brothers Band também tem em seu auge histórias de magia negra para explicar o seu sucesso. Fatos estranhos dão credibilidade a noções diabólicas e pactos nefastos. Apaixonados pela música de Robert Johnson, a banda tinha o costume de se juntar no cemitério para tocar e compor, como Johnson supostamente fazia. Vários dos seus futuros sucessos foram compostos no Rose Hill Cemetery.


Allman Brothers Band
No dia 29 de Outubro de 1970, Duane Allman em uma reunião, toma uma overdose e não consegue mais acordar. A banda entra em desespero quando as pontas dos seus dedos começam a ficar azúis. Ele é levado para o hospital e depois de diagnosticado, o médico conversa com os rapazes informando que o estado é critico e com poucas esperanças. Barry Oakly entra em crise de choro, se ajoelha e reza aos prantos pedindo a Deus que dê a Duane pelo menos mais um ano de vida. Milagrosamente o médico volta pouco depois dizendo que a recuperação de Duane é espantosa e que ele iria ficar bem. Exatos 365 dias depois, Duane Allman é morto em um acidente de motocicleta, atropelado por um caminhão.

Um ano e treze dias depois, dia 11 de Novembro de 1972, a poucos metros de onde Duane havia morrido, em uma estrada lateral, Barry Oakley também morre em um acidente envolvendo um caminhão. Quer mais uma coincidência? Duane, Barry e os dois caminhoneiros que também morreram nos acidentes, todos tinham 24 anos de idade. Hoje, Duane Allman e Barry Oakley descansam, lado a lado no Rose Hill Cemetery, mesmo local onde escreveram muito de suas canções mais famosas.

Epílogo

"Nada decepciona mais do que o sucesso." - Gerald Nachman


Alice Cooper
Já que se insiste em associar histórias de ações demoníacas ao rock, o gênero começou a levar estas historias de conflitos de espíritos do bem e do mal para o palco, muitas vezes como um aviso, mas na maioria dos casos como sátira ou simplesmente espetáculo cênico. Um exemplo seria o Black Sabbath, que surgidos de uma cidade industrial, Birmingham, não eram otimistas como a psicodelia e Flower Power tentava semear. Então falam dos males que o homem enfrenta em alegorias espíritas. A falta de temor em dizer o que se pensa chegou a um ponto que já se faz rock brincando com, satirizando, e até imitando seitas ditas negras. Alice Cooper seguiu caminho paralelo que iniciou como semi-andrógino mas que aportou no teatro de horrores. Bandas diretamente ligados a estes conceitos surgem e vão desde Kiss a Marylin Manson.

A música liberta o homem, elevando o seu estado de espirito. Com a música, o homem consegue elevar-se acima de seus temores. Quando isto desagrada aqueles que precisam do seu medo para progredirem, o músico acaba taxado de bruxo(a) ou equivalente mais moderno. Destruir a credibilidade daquele que cria, sempre foi um dos instrumentos mais eficazes da mentalidade estéril. Para aqueles que se considerem ameaçados por estes artistas, seria talvez o caso de lembrar que nenhum deles fazem frente à tortura psicológica e abuso do poder da fé, que esta civilização testemunhou durante a Santa Inquisição. Afinal, pecado é todo mal consciente, seja do clero ou do pagão.

Pessoalmente, estou com Bob Dylan: não siga lideres, vigia seu próprio parquímetro. (Don't follow leaders, watch your parking meters).

PapaNJam

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