Cannibal Corpse: o segredo para se fazer música obscura

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Cannibal Corpse: o segredo para se fazer música obscura

Mensagem  PapaNJam em Ter Jan 27, 2009 9:59 pm

A edição de fevereiro da Metal Maniacs trouxe uma entrevista com o baixista Alex Webster do CANNNIBAL CORPSE, onde ele fala sobre o novo álbum, "Evisceration Plague", e explica a legendária escala com 5ª diminuta.

Metal Maniacs: Qual é a escala mais "obscura" do Metal?

Alex Webster: "Acredite, nós temos nos perguntando sobre esta questão. Eu posso dizer que a escala que mais utilizamos para fazer um riff pesado e sinistro é a escala diminuta com semi tom / tom ou tom / semi tom. Acredito que você esteja pensando que esta simetria adotada de escala seja o oposto das utilizadas pela maioria das igrejas tradicionais, que tocam de forma diatônica ou coisas em escala maior / menor. Nós podemos tocar em qualquer escala que iremos explorá-la e encontraremos uma forma de deixá-la pesada, porem a escala diminuta é muito mais garantida para se conseguir este tipo de resultado. Continuaremos a explorá-la por algum tempo..."

Metal Maniacs: Porque você acredita que seja isto?

Alex Webster: "São os intervalos. O que torna a música obscura é a ordem que se põe às notas e se estas tocadas juntas, soam desta maneira. Quando você toca com a terça maior, geralmente soa mais 'feliz' do que a terça menor. A escala diminuta traz ambos. Se tentar fazer um riff pesado, você terá que ter cautela com a tonalidade maior. Temos a tríade com a quinta diminuta que é o intervalo encontrado que soa mais pesado. Se estiver buscando por sons muitos pesados e intervalos com sons mais misteriosos, se tem a terça menor e a sexta maior, a qual você pode trocar pela terça menor, encontrando este resultado. É isto que te traz para o Death Metal. Se algum músico quiser estudar nossa banda ou outras de Death, eles provavelmente verão isto em todos os lugares, porque esta escala soa bem para este tipo de trabalho".

Metal Maniacs: É esta a escala utilizada em "Black Sabbath" do BLACK SABBATH?

Alex Webster: "Sim, acredito que seja um arpejo diminuto e aposto que voce esteja imaginando o 'Bomp, Boomp, BAAA'. Esta é a raiz, uma tríade com a oitava indo para quinta diminuta - a terceira nota é a quinta diminuta com o arpejo em oitava. Basicamente é o que se tem nesta música. Isto a torna única, com um dos riffs mais demoníacos da história do Metal e também liderando disparadamente como uma das musicas mais pesadas do rock".

Metal Maniacs: Eu espero que o papo não esteja tão técnico, mas de qualquer forma é muito interessante...

Alex Webster: "Honestamente, mesmo que o CANNIBAL CORPSE seja uma banda reconhecida por suas letras controversas, arte-final e diversas outras coisas, o que estamos realmente focados é na música. Provavelmente nós sejamos mais músicos de uma banda do que qualquer outra coisa que venha na cabeça das pessoas quando se pensa sobre nós no primeiro instante. Quando me perguntam sobre intervalos, escalas, ritmos e coisas parecidas, leva um tempo até que consigam me fazer parar de falar..."

Cannibal Corpse: baixista fala sobre a questão da censura

A censura e a música extrema se chocaram em muitas ocasiões, e em mais que uma delas a banda de Death Metal CANNIBAL CORPSE foi a catalisadora do conflito. Falando ao novo número da revista Zero Tolerance da Inglaterra, o baixista e membro fundador Alex Webster reflete sobre os conflitos da banda com a censura no decorrer dos anos. "Existem muitos problemas pelo mundo, e o Death Metal não é um deles", diz. "Ouvir uma banda que fala sobre coisas loucas e fudidas ou ver um filme violento não irá inspirar as pessoas do jeito que eles (N.T.: a censura) pensam. Os censores assumem que as pessoas são facilmente influenciáveis, e não creio que isso seja necessariamente verdadeiro. Eu acho que as pessoas sabem definitivamente a diferença entre uma fantasia sangrenta e louca que se vê nos filmes e a realidade".

E se voltando para a decisão dos órgãos alemães de censura de banir alguns materiais do CANNIBAL CORPSE no início da década de noventa, Webster diz: "Alguma versão alemã do PMRC (N.T.: Parents Music Resource Center. Órgão de censura americano fundado pelas chamadas 'esposas de Washington', Tipper Gore, esposa do senador Al Gore; Susan Baker, esposa do Secretário de Tesouro James Baker; Pam Howar, esposa do corretor de imóveis de Washington Raymond Howar; e Sally Nevius, esposa do Presidente do Conselho Municipal da cidade de Washington, John Nevius), que originalmente começaram a caçar um tipo de música neo-facista, mas decidiram agir contra qualquer um que elas não gostassem, qualquer coisa questionável".

"Eu acredito que eles estavam usando leis que foram feitas para monitorar discursos políticos de ódio por qualquer coisa, mesmo que isso fosse errado... Eu diria que ter sucesso é um bom jeito de responder às pessoas que tentaram te parar... Eu acredito [que a censura] fez nossa banda maior. Foi uma verdadeira falha da parte de quem tentou nos deter - ninguém foi parado. Somos sortudos o suficiente de ter a liberdade de falar, e isso acabou vencendo em nosso caso. A censura é provavelmente vista como um esforço inútil por muitas pessoas, porque ainda estamos aqui".

A censura é o objeto de uma investigação especial do novo número da revista Zero Tolerance, na qual NAPALM DEATH, BEHEMOTH e Sepultura relatam suas próprias opiniões e experiências. Nergal, do BEHEMOTH, discute como as ações de um qualquer na Polônia que tem conotação de censura terminaram em uma corte, enqaunto Barney Greenway, do NAPALM DEATH, explica porque ele pensa que a liberdade de expressão deveria ser protegida a qualquer custo.

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